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Tanques de Embarcações
O cumprimento das normas da ABNT é um dos meios de um proprietário
de embarcação se prevenir diante de sério risco
causado por um vazamento de um tanque mal construído. Um
item que facilmente pode ser verificado é a espessura dos
materiais utilizados. Veja tabela abaixo:
| |
Materiais |
| Volume do tanque (L) |
Aço
(mm) |
Aço Inoxidável
(mm) |
Alumínio
(mm) |
PRFV
(mm) |
Polietileno
(mm) |
| até 50, inclusive |
1,5 |
1,0 |
2,0 |
4,0 |
5,0 |
| Acima de 50 até 100,
inclusive |
2,0 |
1,0 |
3,0 |
4,0 |
6,0 |
| Acima de 100 até 200,
inclusive |
3,0 |
2,0 |
4,0 |
4,0 |
8,0 |
| Acima de 200 até1000,
inclusive |
5,0 |
3,5 |
5,0 |
5,0 |
- |
| Acima de 1000 |
6,0 |
3,0 |
6,0 |
6,0 |
- |
Deve-se lembrar que não somente lanchas movidas a gasolina
são passiveis de incêndios. O óleo diesel possui
mais energia que a gasolina, e apesar de menos sujeito a ignição,
quando esta acontece o incêndio de tão poderoso dificilmente
é apagado, afundando a lancha em pouco tempo.
Pelo que tenho visto a grande parte dos tanques de embarcações
no Brasil são de plástico (polietileno), aço
inoxidável, ou PRFV (fibra de vidro).
O polietileno é sem duvida o melhor material para construção
de tanques, mas tem algumas limitações de volume.
Dificilmente são construídos de maneira correta acima
dos 300 lts, pois é praticamente impossível de serem
colocados os "quebra ondas" necessários. O aço
inoxidável é talvez um dos materiais mais utilizados,
acreditando-se ser este indestrutível. Mas existe um problema
técnico. O aço comumente usado,304/316 , não
deve ser usado na construção de tanques, pois durante
o seu aquecimento no processo de soldagem ,acima de 538ºC ,
ele perde o carbono, e nas regiões adjacentes é formada
uma liga muito suscetível a um a rápida corrosão
galvânica. A opção é utilizar tanque
fabricados com ligas de aço inoxidavel 316L, 317L (L de low-carbon)
e 321.

No caso do óleo diesel, idéia de projetar e construir
tanques integrados em fibra de vidro pode ainda proporcionar outras
vantagens mas também alguns problemas em potencial. Uma das
grandes vantagens deste sistema é o aumento da estabilidade
lateral, já que eles estão instalados no lugar mais
baixo do casco , o aproveitamento total do volume, pois conforma
o casco quase que perfeitamente, e o acréscimo da rigidez
na estrutura do fundo, porque agora os tanques também fazem
parte do casco. Naturalmente não há só vantagens
em construir tanques integrados, e certamente existe algum preço
a se pagar por todos esses benefícios. A fabricação
de tanques integrados não permite nenhum tipo de falhas durante
sua construção, pois qualquer problema de vazamento
só será detectado após o fechamento do tanque,
dificultando em muito o reparo. No caso particular de tanques de
PRFV, é essencialmente importante especificar a resina e
o plano de laminação mais adequado para evitar que
a parede do tanque seja atacada pelo combustível. O que acontece
quando se está utilizando uma resina de baixa resistência
ao diesel é que em pouco tempo ela começará
a "derreter" dentro do tanque causando um entupimento
na rede de combustível.
Os pontos mais importantes a serem observados na construção
de tanques integrados são a sequência de laminação,
a resina a ser usada e o comportamento mecânico do laminado.
Em termos da sequência de laminação é
necessário considerar o aumento da resistência química
da parte interna do casco original. Normalmente, a última
camada do laminado do casco é manta ou tecido, o que não
é suficiente para se obter uma barreira química ótima.
Geralmente, se recomenda a laminação extra de uma
ou duas camadas de manta de 300 g/m² e uma camada de véu
de superfície para prover uma camada rica em resina a fim
de reduzir o ataque químico e absorção de diesel.
Note que não há necessidade de se colocar mais material,
pois, uma camada de proteção muito grossa e rica em
resina poderia formar microfissuras no laminado.
Como regra geral, a camada mais interna do tanque deverá
ser um véu de superfície com 95% de teor de resina.
A camada seguinte, uma ou duas mantas de fibra de vidro com 70%
de teor de resina, e posteriormente as camadas estruturais combinando
tecidos de alta resistência e mantas com 60% de teor de resina.
Essa mudança progressiva no teor de resina aumenta consideravelmente
a resistência química do tanque além de diminuir
a probabilidade de falhas por microfissuras na parede. Após
a laminação do véu, aplica-se uma camada de
resina parafinada para evitar o contato direto com o combustível.
Quebra-ondas devem ser colocados dentro dos tanques e fixados com
filetes e a seguir laminados. A espessura dos quebra-ondas deve
ser pelo menos de 50% da espessura da parede do tanque. Estes tem
basicamente a função de diminuir o efeito de superfície
livre e aumentar a rigidez do tanque. A utilização
de quebra-ondas é essencial em qualquer tanque com capacidade
acima de 75 litros. Esta regra também pode ser adotada para
calcular o número de quebra-ondas necessários para
um tanque de maior volume. Assim, um tanque de 300 litros precisará
de três quebra-ondas para formar quatro pequenos reservatórios
de 75 litros. Os quebra-ondas devem ter passagens em cima e embaixo.
Normalmente, a área aberta nestas divisórias não
deve ultrapassar 60% da área total.
Em relação a resina de laminação, é
importante utilizar uma que tenha comprovada resistência ao
líquido no interior do tanque. Um teste que se costuma fazer
é deixar alguns corpos de prova imersos no diesel, ou outro
combustível, durante 12 meses a uma temperatura de 65 ºC
e medir com o passar do tempo a perda de resistência do laminado.
Nesta situação, recomenda-se que o laminado após
12 meses tenha retido pelo menos 70% da sua resistência original.
Esta simulação representa algo em torno de 20 anos
de utilização de um tanque real. Resinas estervinílicas
após 12 meses de teste apresentam um valor mínimo
de 85%, sem variação substancial de peso ou espessura,
comprovando que esta resina poderia ser utilizada para a construção
de tanques. Geralmente, resinas poliéster apresentam valores
bem mais baixos e não são aconselháveis para
esse tipo de trabalho.
Finalmente, ainda devem ser observados a resistência ao impacto
do laminado e o ponto crítico de falha. Em termos de resistência
ao impacto, as resinas poliéster apresentam valores até
seis vezes menores que as resinas estervinílicas. Para descobrir
o ponto crítico de falha do laminado, que significa o ponto
limite do aparecimento de microfissuras, impossível de observar
a olho nu, é feito um teste com sensores acústicos
que determinam o ponto de falha da resina. Utilizando este teste
pode-se notar que a deformação antes da quebra de
uma resina estervinílica é três vezes maior
que uma resina poliéster. A alta elasticidade, resistência
quimica e ao impacto das resinas estervínilicas, devem sempre
ser consideradas quando se for escolher a resina das camadas internas
dos tanques.
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