Dicas de Construção

Prepregs

O texto abaixo foi extraído do livro "Manual de Construção de Barcos"

Um método que é relativamente novo, mas muito promissor para a construção de barcos, é o uso de prepregs. Este tipo de construção é feita a partir de fibras pré-impregnadas com um sistema de resina, normalmente epoxy , que cura acima da temperatura ambiente. Guardados a -18°C, prepregs possuem um tempo de vida de vários meses.

No processo de construção de uma peça, este material é depositado sobre a superfície do molde, utilizando sua própria aderência. São colocadas várias camadas do material desejado, e sobre elas uma de tecido de nylon desmoldante, chamado de peel ply, e em seguida um filme de plástico perfurado que determina a quantidade de resina que será ainda retirada durante a compactação do material. Normalmente, se o trabalho foi bem feito a quantidade extra de resina não ultrapassa 3%.

  

Um dos pontos básicos do processo de aquecimento do material é manter a temperatura constante em toda a peça. Quando ela atingir 60% da temperatura máxima de gelificação, aumenta-se progressivamente a temperatura até 84 °C em intervalos constantes de tempo, a fim de criar um fluxo contínuo da resina durante a cura. Isso pode ser bem entendido quando se tem uma parte do laminado a uma temperatura menor onde a resina ainda não se fundiu, o que impede de manter um escoamento de resina constante através de toda a peça. O mais importante é fazer que toda a matriz de resina atinja a temperatura de fusão ao mesmo tempo. Na prática, significa que ela tem neste momento a mesma viscosidade.

O controle se faz com vários termopares instalados sobre a superfície da peça, e mesmo no interior, no caso de laminados com altas espessuras. A temperatura é ajustada com um termostato acoplado ao sistema de monitoramento de temperatura. Outro ponto importante é que o ar quente dentro do forno deve ter circulação constante a fim de evitar que as áreas fiquem com temperaturas diferentes uma das outras. Este processo é normalmente controlado por um sistema de computador simples e roda em qualquer tipo de computador. O forno pode ser feito de várias maneiras. No caso de um barco, com pressão de 1 atm, basta um forno simples, feito de chapa metálica, com isolamento de poliestireno ou produto similar.

O forno deve ser ventilado o tempo todo para manter o fluxo de ar quente constante em todo seu volume. Após o período inicial em que a resina está fluida, o tempo de cura será atingido em poucos minutos. Logo após este ponto deverá ser feito um resfriamento rápido sobre a peça. A resistência de uma peça construída com tecidos pré-impregnados é muitas vezes superior a qualquer outra técnica de laminação.

Um dos pontos negativos desse sistema é a necessidade de um ajuste preciso de todas as variáveis para se fabricar uma peça de qualidade. Entretanto a partir do ponto que se domina o processo, é impressionante a velocidade de produção e a redução de mão-de-obra que se tem, além do aumento significativo da resistência do laminado.

Quando se constrói um laminado sandwich, é preciso tomar cuidado ao selecionar o material de núcleo pois muitos deles são danificados pelo calor. Alguns apresentam mudança nas dimensões iniciais na faixa de 8%, o que pode ser considerado um desastre na construção de uma peça de qualidade. Muitos destes materiais têm uma temperatura de processabilidade em torno dos 80°C, e alguns deles como os tipos de PVC lineares, não conseguem suportar temperaturas maiores que 45°C. A maior parte das colmeias, tipo honeycomb de alumínio ou aramida, tem grande resistência à temperatura, e parte das espumas de PVC semi-rígidas, preferencialmente as do tipo HT, são muito indicadas para esse tipo de aplicação.


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