|
Moldes 2
O método de construção dos moldes está
intimamente ligado à escolha de materiais, número
de peças que se pretende produzir, condições
e velocidade de utilização, qualidade final da superfície,
durabilidade e custo. O uso de materiais de alta performance demanda
um processo de moldagem mais controlado do que a produção
de moldes que utilizam materiais menos nobres e convencionais. Não
se pode esperar um acabamento primoroso de uma peça se o
molde não for de boa qualidade. Os materiais devem ser sempre
de primeira qualidade, incluindo resinas, acabamentos, massas e,
principalmente, o gelcoat. O tipo de moldagem, capacitação
técnica dos operários, controle de temperatura, umidade
e contaminação têm extrema importância.
Caso a idéia do construtor seja cortar algum caminho neste
processo, por favor, não espere que o resultado seja algo
que realmente traduza uma superfície lisa, polida e durável.
Esta chance não existe.

Noventa por cento
ou mais dos moldes são feitos de fibra de vidro e resina poliéster
com laminação manual, onde camadas de fibra e resina são
sobrepostas e curadas dentro ou sobre um modelo, sem o uso de pressão
e calor. A partir dos métodos iniciais, desenvolvidos há
algumas décadas, muitas modificações foram introduzidas
para fabricar moldes com um acabamento exemplar e, conseqüentemente,
proporcionar uma produção mais rápida e econômica
das peças.
Sempre que laminações de fibras de vidro forem utilizadas,
algum tipo de fôrma ou molde será requerido para fornecer
suporte para a deposição das fibras e impregnação
da resina. O molde pode ser macho ou fêmea, dependendo de
que lado é necessário o melhor acabamento. Na produção
de embarcações, os moldes fêmeas são
quase sempre usados para construir cascos e conveses, a fim de proporcionar
um acabamento perfeito na superfície externa, onde realmente
é preciso. Outros moldes secundários podem ser do
tipo macho, uma vez que precisam produzir um acabamento interno
liso. O uso de moldes fêmeas para a construção
de cascos e convés requer que um modelo, conhecido como plug,
seja construído. Ele é a réplica exata do produto
final. Muito cuidado deve ser tomado no acabamento do plug, uma
vez que este irá determinar o padrão final das peças
fabricadas. Depois da produção do primeiro jogo de
moldes, o plug poderá ser aproveitado para retirar mais e
mais moldes. A melhor condição de repetição
de um molde é quando se utiliza o primeiro para produzir
um master plug de onde será retirado uma dezena ou centenas
de novos moldes. O master plug pode ser chamado de matriz e deve
ter resistência e acabamento sempre perfeitos. Note que esse
sistema só é usado quando há necessidade de
reproduzir o molde várias vezes.
Para a construção de um casco one-off, a despesa de
tempo e dinheiro na fabricação de um molde fêmea
não é justificada, o que torna usual a construção
de moldes temporários tipo macho ou mesmo fêmea, dependendo
da complexidade da peça. Embora a utilização
de moldes machos exija menos trabalho para iniciar a construção
da peça, sendo mais rápido que moldes fêmeas
por poupar o tempo de fabricação do molde, o macho
deve ter um ótimo acabamento ou então prováveis
defeitos se refletirão no casco. Também será
sempre necessário lixar e pintar a superfície do casco
ou convés. Assim, se o tempo e o custo destas operações
forem computados, a economia com o uso de moldes machos pode não
ser tão grande quanto se imagina. Materiais de alta performance
e a técnica a vácuo para consolidação
do laminado ajudam a reduzir o tempo de acabamento, uma vez que
a superfície externa não estará tão
irregular quanto em uma laminação manual. Neste ponto
vale ser lembrado que a seleção dos materiais de laminação
deve se basear no tipo de molde que se está produzindo. Existem
materiais específicos para construção em moldes
machos e que nunca irão funcionar em moldes tipo fêmea.
|