Dicas de Construção
Materiais

O texto abaixo foi extraído do livro "Manual de Construção de Barcos"

Escolher o tipo de material para construir determinado barco muitas vezes não é uma tarefa fácil, devido à variedade de opções que o construtor pode ter, como aço, alumínio, madeira, fibra ou mesmo a combinação deles. Embora a maior parte dos materiais disponíveis esteja no mercado há várias décadas, não incluindo modificações substanciais em sua formulação básica ou no seu manuseio, é surpreendente notar que a maior parte das pessoas não possui um conhecimento correto do uso de cada material. Nessa lista, estão incluídos proprietários de barcos, brokers, construtores e até alguns projetistas. Infelizmente, parte dessa confusão é patrocinada pelos próprios fabricantes de matérias- primas que fazem qualquer coisa para vender seus produtos. Muitas vezes, as informações nos catálogos de venda dos fornecedores devem ser verificadas com resultados práticos anteriores.

Embora isso pareça desanimador para quem pensa em desenvolver uma construção, existem alguns pontos que podem ser usados para simplificar a escolha. Antes de qualquer outro fator, eu coloco como básica a preferência pessoal de cada um por determinado material e, em uma condição secundária, outros fatores como custo, disponibilidade de matérias-primas e local onde o barco será construído. Nada mais frustrante do que utilizar algo com o qual você não tenha afinidade ou que não entenda.

Geralmente, para a construção de um barco, ou talvez de uma pequena série, você pode optar por um número enorme de materiais, embora, dentre todos, a fibra de vidro seja o mais popular hoje em dia. Não existe nada de errado em construir barcos de madeira, aço ou alumínio, e até mesmo em ferro- cimento ou outro material alternativo. Entretanto, do ponto de vista econômico, existem poucas opções que podem superar barcos fabricados em fibra de vidro, e no que se refere ao investimento e valor de revenda, barcos construídos com esse material têm certamente a menor depreciação ao longo do tempo.

É certo que boa parte dessa decisão passa pelo tipo de projeto que você decidiu construir e qual o destino final do uso de sua embarcação. Certamente, nem todo mundo deseja fazer um barco para passear nos fins de semana com a família. Atualmente, barcos de pequeno porte são construídos para utilização comercial, transporte de passageiros, carga e utilização militar. Existe uma grande diferença entre o que se chama de barcos de cruzeiro e barcos de passeio. O primeiro tipo é para quem pensa em viagens longas e precisa de um barco, seja a vela ou a motor, capaz de suportar condições de mar que normalmente não seriam encontradas em navegação em águas abrigadas. Barcos de passeio, ao contrário, só deveriam ser usados para navegação neste tipo de águas. Além destes fatores, ainda se pode considerar a freqüência de utilização, velocidade e performance.

Enquanto de um lado existe hoje uma grande indústria de construção de barcos de lazer, na outra ponta do negócio estão os operadores de embarcações comerciais, de passageiros e transporte que utilizam seus barcos em uma freqüência muito maior que os barcos de lazer. Normalmente, uma lancha a motor cabinada tem uma utilização média de 200 horas por ano. Entretanto, pescadores esportivos que levam a sério o esporte, podem chegar a ter uma freqüência de utilização de até 800 horas ano. Você não deve ficar surpreso de ver que alguns barcos de uso comercial chegam a operar, às vezes, 20 horas por dia em regime contínuo. Isto significa que você poderá utilizar esta embarcação e todos os seus equipamentos quase 6.000 horas por ano. Neste caso, as margens de segurança devem ser completamente diferentes de outros projetos. Embora muitos materiais de construção, como a fibra de vidro, sejam extremamente resistentes à fadiga e quando propriamente utilizados ofereçam segurança à construção, você deverá ficar alerta para os outros sistemas da embarcação, como instalação de motores, linha de eixo e ferragens, pois sua utilização será muito mais exigida ao longo do tempo nesses barcos.

Na realidade, qualquer tipo de construção é segura quando você planeja todos os elementos do processo de construção. O fato é que não existem materiais bons ou ruins, seguros ou não, mas sim projetos e construção bem feitos ou mal feitos. A necessidade da integração entre projeto, fabricação e materiais foi provavelmente reconhecida pela primeira vez no início da década de 80. A partir de então, o conjunto desses três itens foi utilizado quase que inconscientemente por vários fabricantes de barcos. Essas três áreas da fabricação e industrialização de embarcações podem ser imaginadas como três círculos, onde cada um representa o grau de tecnologia disponível a cada momento.

No início da construção seriada de barcos, provavelmente no princípio da década de 50, o conhecimento global das etapas de fabricação era extremamente questionável. Os materiais utilizados eram, principalmente, madeira, resina poliéster e fibras rudimentares. Além disso, a maioria dos construtores utilizava técnicas provenientes das construções em madeira do começo do século. Não resta dúvida de que a maior parte dos construtores fez o melhor possível nessas condições, o que pode ser comprovadopela quantidade de barcos que sobreviveram daquela época. Conforme a demanda por barcos foi crescendo, essas áreas (projeto, fabricação e materiais) começaram a se fundir. Os construtores se familiarizaram com os diversos tipos de matérias-primas e aprenderam a explorá-los de uma forma mais econômica. Os projetos começaram a se adaptar aos novos materiais e tecnologias para fabricação.

Na maioria das vezes, o projeto e a construção eram desenvolvidos pelos próprios fabricantes na base do “vamos fazer assim para ver se funciona”, envolvendo um mínimo de pesquisa, engenharia de materiais e fabricação. Hoje em dia, nas construções de sucesso, existe uma integração de especialistas em todas essas áreas.

Com o passar do tempo, como em toda situação competitiva, começou a existir uma pressão para se construir barcos mais leves, de modo mais rápido e mais eficiente. Encorajados ou pressionados pelo próprio mercado, projetistas e construtores iniciaram uma série de projetos bem sucedidos, cada vez mais eficientes em termos de desempenho, velocidade e custo. Simultaneamente, novos materiais começaram a ser desenvolvidos, novas técnicas de fabricação por injeção e vácuo se tornaram prática usual e, nesse ambiente, a tecnologia de construção de barcos começou a progredir.

Outro ponto importante a ser notado é que a tendência de redução de peso nas embarcações, através da utilização de materiais mais sofisticados, como a fibra de vidro, não reflete apenas maiores velocidades, mas também um custo menor de produção, já que a quantidade de materiais e o volume de mão-de-obra são menores. Por outro lado, construções convencionais tendem a ser inaceitáveis pelo público comprador, e qualquer inovação tecnológica significa ao menos uma oportunidade de participar de um mercado cada vez mais competitivo. Esta pode ser uma das razões pelas quais alguns projetistas que têm um trabalho de engenharia voltado para construções mais leves, utilizando menos materiais e alcançando, conseqüentemente, um custo final de fabricação menor, são preferidos pelos estaleiros de produção seriada. Certamente, fatores como estética e performance também contam, mas a economia gerada por uma redução de 20% no volume de material e esforço de construção pela redução de mão- de-obra é fundamental para um empreendimento, seja ele construção de barcos ou outro qualquer.

Na hora de decidir a respeito da utilização de determinado material, é comum considerar o projeto, tipo de construção e matérias primas de uma forma global. Seria muito difícil separar tais variáveis e, freqüentemente, cada projeto tem um número limitado de opções disponíveis. Note-se que não estão sendo considerados casos extremos ou os artistas da construção naval, pois o principal objetivo aqui é realizar uma construção eficiente. Alguns projetistas, além de fornecerem um jogo completo de plantas, entregam uma lista de materiais. Ela pode ser útil para um cálculo estimado do preço da construção, embora eu tenha aprendido com o tempo, que o custo de um barco construído por um amador é algo imprevisível.

Como a escolha do projeto está ligada à escolha do material básico da construção, sugiro que cada construtor ou comprador faça uma tabela listando os prós e os contras de cada material. A tabela apresentada aqui contém a minha própria opinião, que não necessariamente será a sua.

Entretanto, acredito que o leitor ficará surpreso com certos resultados e poderá, não obrigatoriamente, escolher o material mais pontuado. O construtor deve ter sempre em mente que a diferença entre o custo de fazer bem feito e mal feito é muito pequena. Um bom planejamento e supervisão podem tornar a construção muito mais eficiente. Não levar em conta o custo de mão-de-obra, ainda que seja você mesmo quem está construindo o seu próprio barco, é um erro básico. Vários construtores profissionais já aprenderam que o consumo de tempo e o custo da mão-de-obra podem ser, muitas vezes, superior ao custo do material. Embora minha escolha particular seja, na maior parte dos casos, pela utilização de construções em fibra de vidro, pode haver outros projetos onde nem sempre este material seja o escolhido. Entretanto, a verdade é que hoje em dia a grande maioria dos barcos construídos em todo o mundo utiliza a fibra de vidro como matéria-prima básica. Construções em fibra de vidro são muitas vezes referenciadas como construções em materiais compostos ou plástico reforçado com fibra de vidro ou, normalmente, designadas apenas pelas siglas FRP, GRP ou PRFV. São aquelas construídas a partir de dois ou mais materiais básicos, nesse caso fabricado pela associação de fibras de alta resistência, uma matriz de resina e até mesmo um núcleo de espuma nas estruturas ou construções sandwich.

Resistência Específica à Tração

Módulo Específico de Elasticidade

Nos últimos anos, os laminados de fibra de vidro têm encontrado um lugar importante como material de engenharia para várias aplicações em diversos tipos de indústrias. Dentre elas, a construção de barcos tem sido uma das mais importantes. O sucesso da utilização de materiais compostos para fabricação de barcos é devido a um grande número de vantagens que esse material tem quando comparado a outros tipos. Uma das principais vantagens sobre materiais como aço e alumínio é a variedade de estruturas que pode ser conseguida combinando materiais básicos. Entretanto, a grande diferença em relação a outros tipos de materiais se deve à ortotropia, que significa, em engenharia, que o material pode resistir de forma diferente quando submetido a cargas em diferentes direções. Dessa forma, é possível construir uma embarcação mais leve e resistente, colocando fibras apenas nas direções onde existam forças atuando. Essa vantagem oferece tanto ao projetista como ao construtor a oportunidade de ajustar os materiais, as especificações de cada peça e o tipo de processo de moldagem, além de fazer uma combinação que seja mais resistente para o barco. Os materiais compostos ainda possuem outras grandes vantagens quando comparados com outros produtos para construção de embarcações. Entre elas podemos citar a excelente resistência e rigidez para sua densidade, são fáceis de utilizar, são materiais muito leves, são fáceis de reparar, têm uma boa resistência à corrosão e à intempéries e têm também uma grande resistência à abrasão.

Os materiais compostos têm sido utilizados para a construção do casco, convés e outras peças do interior. Devido ao fato de que, na maior parte das vezes, peças fabricadas com materiais compostos são produzidas com auxílio de moldes, várias formas complicadas podem ser desenvolvidas, as quais seriam difíceis, ou praticamente impossíveis, de serem moldadas com qualquer outro tipo de material.




Materiais

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Acabamento1

Acabamento2

Strip Planking

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Técnica Básica de Laminação

Aplicação de Vácuo - Airtech Products

Laminação pelo Método de VARTM

Reparos em Estruturas Sandwich

Técnicas de Construção de Pranchas de Surf & Windsurf

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Vacumm Bag (Passo-a-Passo)

Vacumm Bag / parte 1

Vacumm Bag / parte 2

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