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Acabamento - Parte
1
Seleção de massas para acabamento externo em composites
Qualquer tipo de barco necessita de algum grau de acabamento externo,
seja durante sua construção, na manutenção
ou reparo. Normalmente, barcos feitos em regime de produção
seriada são moldados em fôrmas e possuem seu acabamento
e brilho na superfície externa do gelcoat proporcionais às
condições de fabricação do modelo e
dos moldes em que ele foi produzido. Iguamente, barcos de construção
one-off podem ter acabamento da mesma qualidade, quando não,
muito superior. Na verdade os moldes que são utilizados para
produzir barcos em série foram derivados de um modelo ou
de um primeiro barco de construção one-off, e por
isso também necessitam de grande técnica de acabamento
para serem produzidas peças de qualidade.
Mesmo barcos de madeira, aço e alumínio precisam de
acabamento externo, e nestes casos as massas são, na maioria
das vezes, feitas com adesivos a base de epoxy. É um erro
pensar que, em se tratando de um barco feito por um amador, seu
acabamento externo tenha que necessariamente ficar pior que um barco
de produção seriada. A diferença é que
muitos construtores negligenciam esta parte do trabalho, por falta
de paciência ou de técnica. Deve se destacar que, além
do acabamento cosmético, o trabalho de massa e lixa é
fundamental para a suavidade das linhas do casco e apêndices
que estão submersos para que seja garantida a performance
da embarcação.
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É possível construir e acabar barcos one-off com
o mesmo grau de perfeição dos barcos de produção
seriada. Entretanto, deve-se destacar que esta tarefa requer muito
trabalho. E não pense que alguém pode fazer um bom
trabalho de acabamento em pouco tempo, pois simplesmente esta hipótese
não existe. O acabamento e desenvolvimento das linhas do
barco requerem um ou mais tipos de massa que são fabricadas
a partir de resina e um espessante (filler). Para o uso náutico,
as massas fabricadas a partir de resina epoxy são mais resistentes
à absorção de água, possuem uma menor
contração, são mais elásticas e têm
maior poder de adesão à superfície do casco.
Por isso são utilizadas para fabricar as massas que são
empregadas em barcos de madeira e chapas metálicas, além,
é lógico, dos barcos de regata. A desvantagem do uso
da resina epoxy contra a poliéster é, sem duvida,
o seu custo elevado.
Embora seja possível comprar as massas para acabamento já
prontas, faltando apenas adicionar o catalisador ou endurecedor,
a maioria dos construtores profissionais prefere fabricar seu próprio
material de acabamento misturando a resina e uma receita que envolve
vários tipos de espessantes ou cargas. Isto proporciona um
maior controle do tipo de massa para cada local de utilização,
além de ser possível variar a viscosidade e a consistência
das massas.
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No uso de resinas epoxy é possível ajustar o tempo de gel para
cada tipo de massa que se necessita, utilizando diferentes endurecedores
tipo rápido, normal ou lento. Geralmente, o termo rápido se refere
ao tempo de geltime por volta de 15 a 20 minutos e o termo lento
por volta de 6 horas. Entretanto, cada tipo de mistura tem seu próprio
tempo de uso, devendo ser consultada a tabela de tempo de gel e
tempo de trabalho para cada uma das resinas que forem empregadas.
No caso de utilização de resina poliéster, não é possível ter toda
essa flexibilidade, pois a maioria das resinas poliéster catalisadas
com 1% de Mekp tem um geltime por volta de 20 a 30 minutos. Uma
das soluções pode ser utilizar um retardante de geltime, mas isto
deve ser feito com cuidado para não comprometer a estrutura mecânica
final do acabamento. Para a maioria dos casos, 30 a 45 minutos são
suficientes para realizar o trabalho. Seja qual for a resina que
você estiver utilizando, esta será a responsável por fornecer a
resistência química e mecânica da massa, enquanto o espessante será
o responsável por garantir o grau de dureza e facilidade para lixar
a superfície, além do peso do produto final. Muitos construtores
usam talco industrial e carbonato de cálcio, misturados com dióxido
de titânio, que é um pigmento branco, para fabricarem massa de acabamento
de modelos e também de barcos. Não existe nada de errado em utilizar
estes produtos, entretanto, a densidade final da mistura estará
em torno de 1800 kg/m³ contra 500 kg/m³ de massas produzidas com
materiais mais leves. A facilidade de lixar, então, nem se compara,
embora muitas pessoas não se importem em passar semanas e semanas
lixando massas de talco industrial.
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Para se produzir massas leves e fáceis de lixar, são
usados espessantes conhecidos como microesferas. Muitas delas são
sólidas, mas as que nos interessam são as ocas, que
possuem uma densidade muito baixa. A quantidade de espessante deve
ser suficiente para dar a consistência necessária para
o local de aplicação, seja em superfícies verticais
ou horizontais. Existem, basicamente, três tipos de espessantes
que podem ser empregados na fabricação de massas.
Microesferas fenólicas, de vidro e sílica.
Microesferas fenólicas são um tipo de carga pouco
conhecido pelos construtores, embora muito usadas por profissionais
que fazem barcos de regata e que como o próprio nome diz,
são derivadas de resina fenólica. Elas tem uma cor
marrom avermelhada e são extremamente leves e utilizadas
preferencialmente com resina epoxy, pois alguns tipos de resina
poliéster, com alto teor de monômero de estireno, podem
provocar ataque químico e o colapso das partículas.
É importante manter este produto em lugares secos pois as
microesferas absorvem umidade rapidamente. O tamanho das partículas
esta na faixa de 50 microns e sua densidade média é
de 250 g/litro.
As microesferas mais conhecidas são as ocas de vidro (glass
bublles), que são fornecidas em uma variada quantidade de
tamanhos de partículas. Sendo significativamente mais baratas
que as de resina fenólica, elas são preferidas por
muitos construtores. São fabricadas a partir de vidro tipo
C, têm tamanhos de partículas que variam de 40 a 80
microns e uma densidade de 230 g/litro.
O último tipo, e também o mais utilizado pelos construtores,
é a sílica coloidal, conhecida pelos nomes de Aerosil®
ou Cab-O-Sil®. Este produto é largamente usado para melhorar
a tixotropia da resina e das massas. É excelente na fabricação
de massas que precisam de resistência estrutural, como aquelas
empregadas em colagens. Entretanto a adição de sílica
às microesferas aumenta, consideravelmente, a dificuldade
de lixamento. Este produto é fabricado a partir de dióxido
de silício e tem partículas muito menores que as esferas
ocas e uma densidade de 50 g/litro. O quadro abaixo mostra a comparação
entre as propriedades dos principais tipos de espessantes.
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